A participação feminina nas lideranças do Grupo MD

11 de setembro de 2020
O Grupo MD como case de igualdade de gênero A crescente busca pela igualdade de oportunidades para as mulheres no mercado de trabalho é uma pauta que consideramos fundamental. Ainda assim, vemos que são raras as empresas que tratam de forma igual estas oportunidades, ainda mais se considerarmos cargos de liderança em suas organizações.

A gente aposta que você, mulher, já viveu isso, certo? Então saiba que existem exemplos a serem seguidos.

Com 6 mulheres entre os 10 cargos de liderança da empresa, o Grupo MD é uma exceção importante à essa regra. E essa foi uma das razões pela qual a empresa foi escolhida como objeto de uma importante pesquisa de conclusão de curso de graduação em Administração na Universidade Federal do Espírito Santo.

Para isso, foram analisados dados como o crescimento da participação feminina no Grupo, além de uma análise dos organogramas e do Código de Ética e Conduta. Além disso, todo o corpo diretivo do Grupo MD foi entrevistado, considerando seus gerentes, diretores e membros do conselho da organização.

Nesta entrevista, foram tratados assuntos como o relacionamento interpessoal, histórico do grupo e o próprio processo de seleção para que, dessa maneira, fosse possível compreender a fundo o que possibilitou o atual cenário de gestão positivo da MD.

Relacionamento Duradouros
Assunto extremamente importante nos últimos anos, as entrevistas aqui buscaram entender os relacionamentos entre todos os funcionários e se existem diferenciações entre gêneros. Foi perguntado, por exemplo, se os gestores sentiam necessidade de se portar de maneira diferente quando em contato com alguém do sexo oposto e se eles sentiam que gestores do sexo oposto se comportavam de maneira diferente com eles.

E ao contrário do que se vê normalmente, os gestores do Grupo MD mostraram, de forma unânime, que nenhum dos entrevistados tem tratamento diferente em função do gênero e tampouco sentiam tratamento diferenciado para com eles mesmos.

Dentre as mulheres, todas se sentem muito acolhidas e respeitadas tanto como profissionais como em nível pessoal.

E o fato de todos os gestores terem um relacionamento transparente e de respeito foi citado, ao longo das entrevistas, como um dos motivos de sucesso da empresa. Para os entrevistados, quando as equipes percebem que os gestores têm uma boa interação e um bom relacionamento, elas têm o mesmo tratamento entre si, facilitando o funcionamento da organização.

Os entrevistados foram questionados, ainda, se o fato de haver tantas mulheres em cargo de gestão no Grupo é reparado por eles no dia a dia. Segundo os gestores homens, quando todos se juntam em uma reunião surgem algumas brincadeiras sobre isso, entretanto eles explicaram que tudo aconteceu de maneira tão natural que eles não se atentam para a real importância disso até que uma pessoa de fora do ambiente traga o assunto à tona. Já as gestoras explicaram que reparam mais nessa questão e sentem muito orgulho de verem as mulheres tendo tantas oportunidades.

Contudo, uma reposta comum para todos ambos os gêneros foi que, quando o assunto é trabalho, essa questão nunca é levada em consideração, apenas a competência.

Histórico do Grupo
Uma vez que o objetivo da pesquisa era também compreender se houve um crescimento da participação feminina em cargos de liderança no Grupo, os entrevistados foram questionados como era a distribuição desses cargos ao longo da história da organização. Foi descoberto que, no início da empresa, apenas duas mulheres trabalhavam na organização. Apenas a partir dos anos 1990 esse número começou a crescer. Um fato histórico importante é que, antes da década de 90, a própria área de Tecnologia da Informação era amplamente dominada por homens, e haviam poucas mulheres qualificadas.

Com o crescimento da qualificação feminina, elas começaram a ganhar mais espaço no Grupo MD. Entretanto, o número de mulheres em cargos de gestão só passou a crescer realmente a partir de 2010, quando houve uma mudança no modelo de gestão do Grupo. A partir daí, os critérios passaram a ser puramente voltados à competência, e como o volume de mulheres na organização já era alto, foi natural que isso se refletisse também nos cargos de gestão. Em 2016 houve uma ampla reestruturação no organograma e foram atingidos os padrões atuais de 60% de mulheres ocupando cargos estratégicos no Grupo.

Processo de Seleção
Levando em conta que 42% dos colaboradores da organização, independente do cargo, são do gênero feminino, buscou-se compreender como funciona o processo de seleção da organização, seja para cargos de liderança ou não.

Em consonância com os valores da empresa, as respostas giraram em torno da “competência”, palavra citada mais de 65 vezes ao longo das entrevistas. A explicação para isso é que “competência” é mais do que simplesmente conhecimento técnico, dependendo também de fatores comportamentais.

Assim, quando se abre uma vaga na empresa, é traçada uma arquitetura do cargo e os participantes do processo são avaliados técnica e comportamentalmente dentro daquela arquitetura. Aquele que demonstrar maior competência nos dois quesitos será o escolhido. Isso inibe quaisquer desigualdades em consequência de estereótipos que poderiam ocorrer ao longo do processo seletivo.

Além disso, a organização reconhece e valoriza seus colaboradores, e tem um programa de jornada de liderança. São realizadas avaliações periódicas do desempenho de cada colaborador e aqueles com as melhores avaliações vão sendo treinados para, caso haja necessidade, assumam cargos de maior responsabilidade no Grupo.

Uma mostra disso é que duas das atuais gerentes da organização começaram como colaboradoras da área técnica, assumiram liderança de coordenações e, com uma reestruturação dos cargos, passaram ao cargo de gerência.

Por se tratar de uma empresa de consultoria, onde muitas das vagas requerem grande disponibilidade, a organização reconhece o desafio de se encontrar mulheres que se encaixem totalmente nos requisitos do cargo. Entretanto, eles ressaltaram que isso acontece em consequência de uma sociedade que ainda deposita a maior parte da responsabilidade com filhos, família e cuidados com a casa nestas mesmas mulheres, sendo ainda raro encontrar mulheres que tenham apoio irrestrito da família para estarem disponíveis para tais cargos. Mesmo sendo este um fator externo, ainda causa preocupação nas áreas de gestão do Grupo, que faz questão de, no momento do processo seletivo, deixar claras as condições necessárias para a posição que o participante ocupará, cabendo ao próprio participante as decisões de escolha em determinados momentos.

Conclusão
Desde sua fundação, o Grupo MD contou com a participação feminina. Entretanto, por muito tempo, ela não tinha uma proporção igualitária em função de condições de mercado. Ao longo do tempo, o próprio mercado trouxe mais profissionais, permitindo à empresa a construção de uma política de igualdade de condições entre todos os gêneros.

E exatamente por isso, o resultado mais importante dessa pesquisa foi a descoberta de que esse crescimento se deu de maneira natural.

Até agora, não houve na história do Grupo MD uma política específica para contratação exclusiva de mulheres. No entanto, houve apenas uma mudança no modelo de gestão associada ao crescimento da participação feminina no mercado de Tecnologia da Informação. Foi um papel importante da empresa entender estes momentos e simplesmente reconhecer as qualidades técnicas e comportamentais dos profissionais.

Isso se resume pela fala do sócio fundador, Carlos Augusto Ferreira de Almeida, de que “a liderança reflete no contexto”. Segundo ele, “eu parto do princípio que todo mundo é igual. Então, não... nunca existiu a questão levantada da igualdade de gênero [...]. Princípios e valores a gente não negocia. Então, [...] igualdade de gênero é uma coisa natural aqui. [...] a empresa não discrimina. Nem pode e nem vai porque os princípios e valores dela estão enraizados. Se a pessoa se sentir incomodada, ela nem fica na empresa”.

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Aline Nogueira Campos, bacharel em Administração pela Universidade Federal do Espírito Santo - UFES.